Rastreio do vício alimentar em universitários
Palavras-chave:
Comportamento alimentar, covid-19, vício alimentar.Resumo
Introdução: O vício alimentar é caracterizado de acordo com os sintomas psicológicos e comportamentais de dependência que se manifestam no indivíduo quando o fator em questão é o consumo alimentar, sendo estes comparados aos típicos vícios em substância, que reproduzem efeitos fisiológicos semelhantes à abstinência, quando interrompidos ou reduzidos os desejos e as tolerâncias alimentares. A Escala de Dependência Alimentar de Yale 2.0 (mYFAS 2.0) é utilizada como ferramenta de pesquisa para avaliar os sintomas da dependência alimentar. Apesar do termo ser discutido desde a década de XX e ainda não ser considerado oficialmente um transtorno clínico, o advento do isolamento, da mudança de hábitos alimentares e comportamentais ocasionados pela pandemia do Covid-19 trouxe consigo à tona sinais e sintomas da manifestação do vício que merecem ser investigados. Objetivo: Avaliar a existência do vício alimentar em acadêmicos durante o período de isolamento da pandemia de Covid-19. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) sob parecer 4.474.935, durante o período outubro de 2020 a julho de 2021, com acadêmicos de uma rede institucional privada, abrangendo acadêmicos de ambos os sexos e vinculado a qualquer curso de graduação. Foram excluídos gestantes e indivíduos com diagnóstico de transtornos alimentares. As ferramentas utilizadas como instrumento de pesquisa foram um inquérito socioeconômico formulado pelos pesquisadores e a Escala de Dependência Alimentar Yale 2.0 (mYFAS 2.0) que possibilita a classificação do vício alimentar em leve, moderado e acentuado ou sem vício e um questionário próprio de identificação. A coleta de dados foi realizada através da plataforma virtual Google Forms após assinalarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado. Resultados: Ao todo foram avaliados 104 estudantes. A maioria foi representado por adultos do sexo feminino (83,65%) da área Biológicas e da Saúde (67,39%). No inquérito da mYFAS 2.0 foi identificado que 12,35% da população estudada foi diagnosticada com algum grau de vício alimentar sendo estes 8,64% em vício acentuado, 2,47% em vício moderado e 1,23% em vício leve. Os sinais e sintomas de vicio de maior prevalência foram "comer para compensar problemas emocionais" (17,65%), "continuar comendo da mesma maneira mesmo isso tendo causado problemas emocionais" (16,09%) e "preocupação de amigos e familiares com relação a quantidade do consumo alimentar do participante (16,9%). Conclusão: O vício alimentar foi encontrado em mais de 10% o que já sinaliza uma prevalência de diagnóstico acentuada nos acadêmicos participantes, sendo estes sintomas evidenciados durante a pandemia do Covid-19. Contudo, necessitam-se de mais estudos referentes ao tema se fazendo necessário a abrangência de outros públicos para um diagnóstico mais amplificado deste cenário.
Downloads
Referências
BURROWS, T.; KAY-LAMBKIN, F.; PURSEY, K.; SKINNER, J.; DAYAS, C. Food addiction and associations with mental health symptoms: a systematic review with meta-analysis. Journal of Human Nutrition and Dietetics, v. 31, n. 4, p. 544–572, 2018. https://doi.org/10.1111/jhn.12532.
GUPTA, A.; OSADCHIY, V.; MAYER, E. A. Brain–gut–microbiome interactions in obesity and food addiction. Nature Reviews Gastroenterology and Hepatology, v. 17, n. 11, p. 655–672, 2020. DOI 10.1038/s41575-020-0341-5. Available at: http://dx.doi.org/10.1038/s41575-020-0341-5.
PICCINNI, A.; BUCCHI, R.; FINI, C.; VANELLI, F.; MAURI, M.; STALLONE, T.; CAVALLO, E. D.; CLAUDIO, C. Food addiction and psychiatric comorbidities: a review of current evidence. Eating and Weight Disorders, v. 26, n. 4, p. 1049–1056, 2021. DOI 10.1007/s40519-020-01021-3. Available at: https://doi.org/10.1007/s40519-020-01021-3.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2021 SEMPESq - Semana de Pesquisa da Unit - Alagoas
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Oferece acesso livre e imediato ao seu conteúdo, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico contribui para a democratização do saber. Assume-se que, ao submeter os originais os autores cedem os direitos de publicação para a Sempesq. O autor(a) reconhece esta como detentor(a) do direito autoral e ele autoriza seu livre uso pelos leitores, podendo ser, além de lido, baixado, copiado, distribuído e impresso, desde quando citada a fonte.